Almas Quebradas: Capítulo I- A saciedade de um desejo Parte II


A manhã seguinte havia sido um pesadelo. Aqueles olhos não saiam da minha cabeça, pareciam me fitar para onde quer que olhasse. As suas últimas palavras antes de ir pareciam flutuar a minha frente. Não consegui pregar os olhos nem para ter o mínimo de sossego em meus sonhos. Que por algum motivo nunca lembrava o que de fato sonhava, mas sabia que era bom. Muito bom para dizer a verdade.


Levantei sonolento. Meu quarto parecia uma bagunça. Não lembrava como aquilo havia acontecido. Minha blusa coberta de restos de comida mal digerida estava no chão como se tivesse sido jogada às pressas.


― Sinto muito. Não vou conseguir te usar, sabendo por tudo que você passou ― suspirei, lastimando por minha perda e a descartando no lixo.


Sabia que não havia ingerido mais que meia taça de vinho, mas teria que admitir que uma ressaca em pleno dia de semana era novidade. Raramente ficava bêbado e nunca tinha ressaca. Nunca mesmo.


Estava usando somente meu blusão de dormir e um samba-canção. Entrei no chuveiro do banheiro do meu quarto enojado por saber que até mesmo meu cabelo fedia.Já despido, esperei que a água quente escorresse pelo meu corpo e relaxasse meus músculos tensos pela má qualidade de sono da noite anterior. Fechei os olhos na esperança que aquele cansaço fosse embora junto com a água que descia pelo ralo.


"Tudo parece ter mudado em você, Mestre Christian. Para melhor, devo-lhe informar."


Não havia ninguém ali, mas tinha certeza de ter escutado alguém falar.



Abri os olhos, assustado. Ainda escutando a risada rouca como se gatos estivessem arranhando um quadro negro por pura diversão.


"Não se preocupe. Estou apenas me saboreando a companhia do meu Mestre."


Então tudo passou pela cabeça como um flash de luz. Aquilo da noite anterior realmente havia acontecido, finalmente compreendia ao reconhecer a voz. Afinal, coisas estranhas sempre aconteciam naquela cidade, e essa era a de longe a mais estranha. E percebi que aquela criatura parecia ecoar na minha mente, não em outro lugar.


― J-Josh...? ― chamei incerto.


"É impressionante que os humanos esqueçam o seu nome, mesmo que dedique sua alma a eles, não é, Mestre Christian?"


Engoli em seco, na esperança que ele me dissesse como se chamava.


"Você deveria lembrar o meu nome já que me recordo do seu. Escolhi justamente esse nome por ser o mesmo do seu pai, Mestre Christian." ele reclamou ao ver que eu não me lembrava.


― Jonathan?


"Prefiro que me chame de John. Deve soar bem mais autoritário saindo de sua boca."


― John?


― Eu estava certo que meu nome soasse bem excitante na sua voz, Mestre Christian.


― Não pensei que estivesse falando nesse sentido... ― completei mais baixo ― Mas o que posso dizer de alguém que fica me olhando tomar banho... Calma, sua voz não está mais na minha cabeça.


― Claro que não. Estou olhando diretamente para você.


Girei o corpo na direção que supus que ele estivesse e me dei de cara com seu rosto, aliás o meu rosto desenhado nos vapores que se pregavam no box do banheiro. Achei surpreendente que seus olhos ainda fossem do mesmo jeito que me lembrava.


― Finalmente vai parar de me chamar de "Mestre" o tempo inteiro? ― perguntei enquanto saia rapidamente do box e pegava a minha toalha para que ele parasse de me observar enquanto ainda estava nu.


― Ainda estou te vendo, Mestre Christian. E provavelmente não, já que um dia ainda vai se excitar apenas por me ouvir chama-lo desse jeito. ― disse ao surgir no espelho do banheiro.


― Você fala muito para um espelho.


― Não sou um espelho.


― Então o que você é? ― questionei curioso para ouvir a resposta.Abri o closet escolhendo a roupa que usaria. Não teria aula naquele dia, mas iria sair com Meir mais tarde. Sorri empolgado.


― Vejo que o senhor está interessado em mim. É o primeiro avanço na nossa relação. ― respondeu, risonho.


Desapareceu do banheiro, e voltou a sua forma inteira quando andei até o quarto e avaliava sobre a roupa que iria usar na frente do espelho.


― Não temos um relacionamento de qualquer tipo. E você poderia se afastar um pouco, ou pelo menos imitar o que eu faço para ver qual roupa fica melhor? ― Falei confuso pelo fato dele ter as minhas características e segurar as roupas assim como eu, mas não se espelhava no que eu fazia.


― Ainda. ― parou por um segundo. ― Você ficaria bem melhor sem roupa alguma.


― Eu tenho um namorado, ok? ― falei instintivamente mais baixo.


― Namorado? Sabia que teria mais chance na forma de um homem. Estava certo novamente.


― O quê? Você pode mudar suas formas, então?


― Claro, mas somente quando firmar seu contrato comigo. Agora não passo de um reflexo partido seu.


― Por que partido?


Ele me encarou e não disse mais nada.


Coloquei a minha roupa por cima da toalha, olhando de soslaio para ver se ele ainda observava.


― John?


― Estou aqui, Mestre.


― Se você não é somente um espelho o que mais você é?


― Já me deram muitos nomes. Mas o que sua tia me chama realmente me agrada. ― falou sarcasticamente com um sorriso convencido.


― Do que ela te chama?Coloquei a última peça que faltava que era a calça jeans preta que havia escolhido.


― Calma, então minha tia também vê você? Na forma dela ou na minha?


― Ela me via na forma da minha antiga mestra, pois como ela não é minha escolhida, não é capaz de refletir sua alma em mim.Parei por um momento.―


Então ela vê a minha mãe?


― Sim, Mestre.


― É assim que você sabe quem é o seu Mestre ou algo do tipo?


― Não, eu...Toc toc. Virei rapidamente na direção da porta. E olhei para o espelho e suspirei aliviado por saber que ele não estava mais ali.


― Chris?


― Oi, Vó. A senhora quer alguma coisa? Estou terminado de me arrumar.


― Sim, você já está vestido?


― Estou, sim.


― Estou entrando.Minha avó entrou devagar no quarto me procurando com os olhos.


― Ah, aí está você.Ela analisou a roupa que eu vestia, e perguntou:


― Você vai sair? Achei que passaria o feriado em casa para fazermos maratona da série que você gostaria que assistíssemos...


Peguei um dos meus All-Star que batia até metade da minha panturrilha e soquei a barra da calça por baixo do tênis.


― Você vai sair com suas amigas? ― perguntou ao caminhar em minha direção e encostar a porta.


― N-Não...


― Com que você vai sair? Você sabe que não pode andar por ai saindo com estranhos, Christian!


― Mas, vó. Ele é da escola. É um amigo...


― Amigo? Quem é ele? Você nunca comentou sobre nenhum amigo, e não mencionou nada no jantar de ontem.


― C-Começamos a conversar recentemente.


― Você está gaguejando. Conte a verdade.


― Essa é a verdade. ― respondi nervoso.


Olhei na direção do espelho para me ver por completo, e os meus olhos se mexiam em deboche. Ele não havia ido embora.


― O nome? ― ela olhou inquisidoramente para mim ao levantar uma das sobrancelhas.


― Menêsis Bellator. Ele é um aluno exemplar da escola, duvido que seja um serial killer interessado nos meus órgãos.


― Sei... Conheço a família dele. Só quero que não se aproxime demais, ele não é uma boa companhia para você.


― Vó, a senhora nem o conhece...


― Mas conheço os pais dele. Quero que essa seja última vez que o alerte sobre ele.


Ela virou-se com raiva e antes de passar pela porta, sussurrou, mas escutei com clareza o que ela havia dito.


― Duvido muito que ele que não tenha segundas intenções, sejam quais forem.Questionei-me internamente, enquanto minha vó batia a porta e escutei suas fortes passadas pelo corredor.


― Parece que você vai ter um encontro hoje.Franzi a testa.


― Sua avó está certa. A família dele tem um passado longo com a sua, e não deveria se envolver, sendo que essa herança também é passada a ele.


― Do que você está falando?


Antes que ele respondesse meu celular tocou.


Era o Meir.


"Você sabe que estou te ligando já tem um 20 minutos, não é?"


― Desculpa, estava tomando banhando, estou saindo agora, tudo bem?


"Amor, não demore. Já estou suficientemente com saudade, e estar te esperando prolonga minha tortura."


― Não vou.


Desliguei o telefone com o coração palpitando de felicidade.


― Você fica tão vermelho assim por causa de uma ligação?


John ainda estava ali. Ele colocou uma mão na cintura enquanto a outra estava pressionada na cabeça como se tivesse pensando realmente na resposta daquela pergunta.


― Eu gosto dele, não posso fazer nada quanto a isso. E o que aconteceu com "Oh Mestre Christian"?


― Já sentiu saudade de como te chamava? Enfim, estarei aqui quando precisar. ― Ele sumiu como a da primeira vez, contudo o último a sumir foi um sorriso diabolicamente sarcástico, e tive a leve impressão que ele estava tramando algo.


Peguei meu celular e minha carteira e saí apressando até a cozinha. Essa era uma das partes da casa que mais gostava. Esse era o cômodo mais recentemente reformado. Um lugar bem mais aconchegante para três pessoas se reunirem toda manhã. Havia uma pequena mesa com seis cadeiras e a cozinha ficava ao lado.


Agradeci mentalmente que não fosse nela que jantássemos toda noite, senão ainda teríamos a vivida memória do vômito da minha tia.


― Chris? Poderia, por favor, não correr pelas escadas. Estou com uma ressaca daquelas.


Parei ainda na base da escadaria. Minha tia parecia ter se lavado, o que era um alívio. Seu cabelo ainda estava úmido e usava um blusão do Nirvana.


― Poderia fazer mais barulho se fosse assim. Você estragou minha blusa favorita. ― estreitei os olhos.


― O quê? Como assim? ― Ela olhou para a minha avó em busca de resposta e voltou-para mim, em clara desistência. ― Tudo bem, ok? Depois te compro uma igualzinha amanhã para você? Está combinado? ― Esticou seu dedo mindinho para mim.


― Vou sair amanhã.


― Também? ― questionou minha avó, que fritava ovos do outro lado, na cozinha.


― Você vai sair hoje? ― Minha tia averiguou com uma expressão bem semelhante que a da sua mãe minutos antes.


― Sim...


― Espero que não esteja de namoro, quero conhece-la e aprova-la antes que a situação piore.


― Tia, a senhora sabe que não saio com ninguém. Não vou me dar o luxo de ter a mesma vida amorosa fracassada que a sua ― respondi, irritado.


"Pegou pesado dessa vez. Merecido de qualquer forma." Riu, John. Na minha cabeça. De novo.


Resmunguei baixinho e abri a geladeira pegando uma maça e o leite para tomar com café.


― Pelo menos você nunca mentiria para nós. Estou de olho em qualquer uma que tentar roubar meu sobrinho preferido de mim. ― brincou, minha tia com um sorriso triste. Segurou com força a compressa de gelo que segurava na cabeça.


Sabia que havia tocado em um ponto delicado. Todos os seus oito ex-maridos ou estavam mortos ou com as antigas amantes que se tornaram atuais. Todos fracassados de alguma forma.


― Achei que estivesse com ressaca demais para falar qualquer coisa.


Ela tentou retrucar, mas logo desistiu.


Tomei rapidamente o café, e levei a maça para comer no caminho. Despedi-me das duas, que não ficaram satisfeitas por eu ter saído, e fui o mais rápido que pude até a estação de trem que tinha ali perto.


― Achei que não viria. Estava morrendo de saudades.


Meir veio na minha direção com os braços abertos. Estava usando um óculos escuro que combinava perfeitamente com seu rosto anguloso. E uma jaqueta de couro que o deixava ainda mais sexy.


Ele me abraçou e me beijou demoradamente. Apertou minha bunda e o olhei o repreendendo.


― Você também pode pegar a minha se quiser. Sou inteiramente seu. ― Ele virou as costas apontando com o dedo para o seu traseiro muito bem trabalhado e empinado.


Aquela bunda era deliciosa.


"Sou inteiramente seu?" Imitou com deboche. "Essa frase é minha."


― Pelo menos ele tem uma bunda que eu possa pegar. ― falei, baixinho.


Bati na bunda do meu namorado e fui até o trem que havia acabado de chegar.


Meir virou-se contente e colocou o braço no meu ombro, beijando o topo da minha cabeça. Encolhi instintivamente e o enlacei pela cintura. Rindo internamente, porque pela primeira vez havia feito aquele tarado ficar sem palavras por casa das suas piadinhas.


― Para onde vamos?


― Minha casa.


― Sua casa? ― gelei.


― Calma― ele riu. ― É uma casa de campo, ninguém vai lá nessa época do ano.


Relaxei por alguns instantes.


―Só eu e você? ― perguntei, sentindo um pouco da pressão. Ainda não havíamos transado, e sabia, que o outro estava apenas esperando uma oportunidade para avançar o sinal.


― É a intenção. ― ele olhou sedutoramente por cima dos óculos.


"Quem é o tarado agora?"


Aquele falatório era irritante. E ainda não sabia como ele fazia aquilo, mas descobriria assim que voltasse.


Fitei raivosamente os trilhos enferrujados uns dois metros abaixo de onde estávamos. Havia uma quantidade razoável de pessoas ali, mas nada que chegasse a ser sufocante.


― A casa é um pouco distante, se você quiser dormir, pode deitar no meu colo.


― Você também quer que eu te chame de "papai"? ― falei rindo.


― Até que seria interessante ouvir isso vindo de você.


Isso havia soado extremamente familiar, mas guardei no fundo da minha mente, sem a necessidade de lembrar.


A viagem foi longa, e logo comecei a sentir sono. Não tinha dormido direito e estava cansado. Nem lembro como e nem quando adormeci no ombro de Meir, que me acordou quando estava realmente me divertindo no sonho. Lembrava de uma roda gigante, mas de resto, ficou somente naquele mundo.


― Chegamos, amor.


― Já?― falei sonolento e me espreguiçando.


Meir me encarou com um sorriso bobo no rosto.


―Você é muito fofo enquanto dorme.


―Hum. Mesmo que eu tenha babado no seu ombro? ― comentei rindo e apontei para a pequena poça inexistente.


― Engraçadinho.


O trem parou vagarosamente e abriu as portas. Enquanto Meir procurava qualquer mancha em seu ombro, disfarçadamente.


―Vamos? ―Disse ao me puxando gentilmente pela minha mão.


Observei a largura de suas costas, comparando com as minhas. Mesmo sendo alto, ele ainda conseguia ser uns bons 10cm maior que eu, sem contar sua estatura bem maior que a minha.


― O que foi que te deram para que crescesse tanto? ―reclamei ao cutucar os músculos de suas omoplatas.


Ele me puxou para mais perto. Estávamos passando pela roleta da saída e uma velhinha nos encarou surpresa.


Olhei para baixo envergonhado e percebi que ela ria de uma forma doce como se achasse fofo. Fiz Meir andar mais rápido até o ponto de ônibus. Senti as bochechas quentes e as apertei com as minhas mãos frias.


―Você está com tanta pressa assim para que cheguemos logo?


― Só não gosto de multidão. Mas se fossem filhotes fofinhos teria morrido feliz.


― Então não ligaria que fossem crianças?


― Desde que não me encham o saco. É pura fofura também ― falei sorrindo.


"Que raro um Esfinger realmente gostar de pirralhos. Isso o torna ainda mais adorável."


― Minha mãe também gostava.


Meir olhou sem palavras para mim por um momento e disse:


― Então é uma pena ainda maior que as coisas tenham terminado daquela forma para sua mãe. ― disse condescendente.


"Gostava tanto que olha como terminou, não é?"


Segurei mais forte sua mão e sorri sem graça. Agradecendo internamente a ele por não fazer comentários cruéis que nem John.


O ônibus chegou rápido, e infelizmente, descemos mais depressa ainda. A casa era linda por trás do portão acizentado. Duas escadas levavam de cada lado até a entrada. As pilastras de mármore se harmonizavam com o creme pintado nas paredes. Uma piscina cristalina ficava na entrada, era suficientemente funda para afogar alguém que não soubesse nadar como eu.


― Você quer colocar as suas coisas em um dos quartos de hóspedes? ― apontou para a mochila em minhas costas.


― Tudo bem...Ele colocou tanto a minha mochila quanto as suas coisas no primeiro quarto do corredor. Entrei logo atrás. Sentei na cama esperando que terminasse. O quarto era simples e sofisticado. E antes que percebesse Meir me empurrou contra a cama, segurando os meus pulsos.


― E o que você quer fazer durante o dia? ― disse beijando e mordendo suavemente os lóbulos das minhas orelhas.Seu corpo estava debruçado sobre o meu. Meu corpo avidamente ciente do quanto ele estava próximo. Senti sua respiração descendo até o meu pescoço, e sua boca trilhar um caminho até o meu peito. Sua mão passeando por baixo da minha blusa.


― M-Meir... ― chamei-o ofegante.


― O que foi? ― respondeu ao me beijar.


Sinto o estímulo de meu corpo falando mais alto, minha respiração ficou fortemente estimulada assim como minhas partes íntimas que se mostraram ativas. A cada mordida dele em minha orelha, quanto mais ele demonstrava confiança no que pretendia, mais meu corpo se mostrava pronto.


Minha boca se abriu cada vez que ele chegava perto do meu pescoço. Cada vez mais que ele cruzava a linha dos meus mamilos, eu sentia a euforia em meu estômago.


A excitação latejante no meu pênis estava indo a completa loucura. Era tarde demais quando percebi que sua língua estava passando pelos meus mamilos, e descendo lentamente ate minha barriga, eu segurei sua cabeça, desejando que ele finalmente chegasse onde meu corpo queria prazer, e quando senti a respiração dele chegando ao meu umbigo, ele começou a puxar lentamente a calça, e com apenas uma mão tentou desabotoa-la, foi quando sua quente respiração que passava lentamente por minha cueca, ele sabia que eu já estava completamente duro, meus pênis pulsava, sedente por sua boca.


E senti meu corpo paralisar por completo. Mas por algum motivo minhas mãos se movimentavam sem o meu consentimento, empurrando com força o tórax de Meir, que bateu com violência no closet que ocupava toda a parede daquele lado.


Quando acordei do transe, meu corpo parecia formigar de uma maneira incômoda. Demorei alguns segundos para finalmente conseguir voltar a mim mesmo. Meir já se levantava com dificuldade.


― Você está bem? ― perguntei, confuso com minhas vistas ainda turvas.


― Se você não queria era só dizer... ― ele falou rindo sem graça, mas quando olhou em meus olhos parecia assustado e levemente aliviado por um momento.


― E-eu não sei o que aconteceu. Eu queria, e muito. ― esperei que entendesse as minhas suplicas para que compreendesse o que eu queria dizer. ― Só não sei dizer o aconteceu. ― Abaixei a cabeça, confuso.


Meir se aproximou cautelosamente e me abraçou.


― Está tudo bem. Se quiser pode tomar um banho antes. Vou preparar alguma coisa para a gente comer.


― E você cozinha?


Ele riu.


― Só para você. ― Ele me soltou e caminhou até a porta.


― Tem toalha na cômoda, pode usar esse banheiro daqui mesmo, ok?


― Você sabe que eu te amo, não é?Ele sorriu de novo e fechou a porta.Sozinho com os meus pensamentos, refleti sobre o que havia acontecido e estranhei que John não tivesse feito nenhum comentário maldoso. Levantei de supetão e fui até o banheiro, crente que teria um espelho. E tinha.


― John, apareça.Ele surgiu sorridente na minha forma. Sorridente demais.


― O que você fez? Foi você, não é? ― questionei, socando o espelho com raiva.


― Não sei do que você está falado, Mestre. ― respondeu cinicamente. ― Porque eu atrapalharia o intercurso de vocês dois?


― Foi você, não é? Me responda!


― O que você esperava que eu fizesse? O senhor é o meu Mestre! Não posso lhe entregar a um Bellator!


― Cale a boca! Você não tem o direito de fazer isso comigo. E o amo e você não tem nenhum direito de interferir! E da próxima vez que entrar no meu corpo ou o que quer que você tenha feito ― completei mais baixo. ― pode ter certeza que quebro aquele espelho. Te proíbo de fazer qualquer coisa com o Meir, você ouviu?


― Claro, Mestre. ― John estava claramente com muita raiva, mas sorriu simpaticamente e desapareceu, deixando uma rachadura no espelho.


Debrucei-me sobre a pia e inspirei profundamente. Ciente que Meir poderia ter se machucado de verdade. Entrei no chuveiro gelado, tentando espairecer as ideias e quando sai coloquei a sunga que havia trago e me enrolei em uma toalha e fui ao encontro do Meir.


Parecia estar assando algo com cheiro doce no forno e bater algo no liquidificador. E segui aonde aquela movimentação levava.


― Amor.


― Acho que você vai gostar dos biscoitos de aveia com chocolate que estou preparando.


― Com certeza. Principalmente se você vier de brinde. ― pisquei.


Ele gargalhou.


― Que bom que está melhor.Apoiei no balcão observando Meir na cozinha. Já estava com uma bermuda e um avental preto.


― Você pode ir para a piscina, depois eu levo seu lanche.


― Tudo bem. Eu te faço companhia. O que você fez com todas as pessoas que ficavam aqui?


― Estão de folga.


― Tudo isso por um final de semana a sós?


― Obviamente te daria o mundo se pudesse. ― virou repentinamente na minha direção.


Sentei no balcão de mármore e comecei a balançar as pernas ritmadamente sem ter consciência disso. Estava um pouco nervoso, mas havia se decidido. Amava Meir e tinha a absoluta certeza que não se importaria que ele fosse sua primeira transa ou quantas mais viessem, e não seria um espelho que fosse atrapalhar.


Encarei por alguns instantes o retrato de sua família. Uma mulher negra e com os olhos tão verdes quanto grama segurava uma versão muito jovem de Meir. Um homem a abraçava carinhosamente e sorria para a criança transpirando felicidade. Meir era bem mais parecido com sua mãe, mas seus olhos e o queixo furado com toda a certeza, eram do pai.


― Esses são seus pais? Apontei para o retrato.


O barulho incessante de louça sendo lavada parou. Meir limpou suas mãos no avental e veio até mim, para saber do que se tratava.


― Essa foto? ― Segurou a moldura mecanicamente. E apertou os seus lábios carnudos.


― Sim. Vocês pareciam felizes quando bateram a foto. E o seu irmão? Não estava no dia?― Lembrei me do mais velho que sempre estava com ele na escola.


― Não, ele ainda...― comprimiu novamente os lábios. ― Ele estava viajando nessa época― respondeu por fim.Concordei, sem insistir no assunto.Puxei com as mãos o colarinho e o laço do avental q ele usava. Trazendo em minha direção.


― Agora que você está lindo nesse avental, poderíamos continuar o que estávamos fazendo no quarto.Pisquei sugestivamente. Abracei-o, sentindo o atrito da minha pele em seus pêlos, já que Meir havia tirado sua blusa quando saiu do quarto mais cedo, ficando somente com sua bermuda e o avental.Encostei meus lábios em seu pescoço. Sorri ao ver que como seu corpo reagia a mim. Ele se aproximou mais, ficando entre as minhas pernas.


Chupei aquela área sedento. Lambendo sua pele que esquentava tanto como se ele estivesse queimando no Sol lá fora.


― Você tem certeza que quer ter a sua primeira vez na cozinha com biscoitos assando?― Disse ofegante.


― Como assim? Quem disse que essa seria minha primeira vez?Ele se distanciou por um momento.


― E não é? Você parece tão puro que imaginei que...


― Calma. Faz muito tempo que transei com alguem, que tenho certeza que sou virgem de novo. Claro, se isso fazer você se sentir melhor.Teoricamente falando, não era virgem.


― O que? Como assim?


― Cala a boca. ― ordenei.


Apreciei sua boca entreaberta, que era tão convidativa quanto a claridade para quem sobrevivia no escuro.Pressionei os meus lábios ao seu. Nossos corpos se encaixando perfeitamente. O calor de nossas respiração se misturando na dança quente que nossos corpos se submetiam.


Minhas pernas enlaçaram sua cintura. Nos deixando lúcidos de que nossas partes, que se tocaram brevemente até que ele me levantasse e carregasse até a sala. Deitou meu torso no sofá.


― Você sabe que essa posição não é muito confortável, não é?


― Você se incomoda?


― De verdade? ― Brinquei com sua cara realmente preocupada ― Não. Gosto de olhar nos seus olhos.


― Você gosta dos meus olhos?


― São tão deliciosos quanto chocolate. Eles me dão fome toda vez que os encaro.


― Você pensa em comida ao olhar pra mim?Seus braços flexionaram ao meu lado. Seu aroma viciante de água salgada misturada com algo doce. Ele beijou meu pescoço. E gemi baixinho.E pela segunda vez naquele dia senti sua língua quente nos meus mamilos. Segurei suas costas com força enquanto ele chupava-os.


― Acho que não é bem esse tipo de fome que eu sinto.


Ele foi trilhando um caminho de beijos ate minha virilha. Meu sangue parecia ferver. Meu pênis latejava. Suas mãos desceram até a minha sunga. A tolha já havia caído há muito tempo.


― Gostaria de ter terminado isso antes ― murmurou.


Meir passou a língua na cabeça do meu pau. Seus olhos brilhavam em minha direção, atrevidos.


Sua cabeça sumia e aparecia das minhas vistas enquanto eu era envolvido completamente por sua saliva. Toda sua boca fazia cócegas. O fundo de sua garganta macia deixava tudo mais sensível e excitante. Seus dentes rasparam levemente, fazendo meu corpo contrair e um gemido alto sair involuntariamente pela minha garganta.Seus dedos não eram tão delicados, mas eram suaves ao entrarem um por vez pelo meu ânus massageando por dentro. Minhas mãos rasparam incontrolavelmente o couro branco do sofá. E sabia que estava prestes a gozar .


― M-meir...O esparmo perdurou por algum tempo. O sêmen lambuzando o seu rosto. Limpou com seu dedo e passou na boca sorrindo.Ele logo engoliu o restante direto da fonte, exclamando que o meu gosto era muito bom para que não fosse o desperdiçado .


― Poderia andar logo?!Estava ansioso para que ele colocasse tudo dentro de mim, mas por algum motivo, ele gostava de me ver assim.


Ele abriu o zíper da bermuda jeans e tirou o seu pau. Suas veias pareciam pulsar. Ele era gordo e tinha o cumprimento certo, suspirei apenas imaginando dentro de mim.Ajeitei meu quadril no braço do sofá.


― Espero que esteja tão ansioso por isso quanto eu.Finalmente ele colocou o seu membro, devagar de início, e foi aumentando a velocidade conforme meus gemidos aumentavam. Meu pênis já se encontrava ereto novamente.― Você é tão apertadinho...


As estocadas pareciam ir cada vez mais fundo, suas bolas batiam incessantemente na minha bunda dando ainda mais prazer. Os pelinhos que encostavam em mim era estranhamente agradáveis.Ele segurou minhas pernas e as colocou em cima de seus ombros. Mexendo levemente dentro do meu orifício.


Após alguns minutos a sensação do meu corpo ser tomando por um choque elétrico ocorreu. Me fazendo gozar novamente. Sujou o peitoral e seu rosto que se contorcia em uma expressão relaxada ao também chegar ao orgasmo.


Ele se debruçou sobre meu corpo, retirando seu pênis de mim. Seus braços me abraçaram. Nosso suor se misturando em uma sensação engraçada.


― Segundo round? ― perguntou.


― A piscina parece um lugar interessante para irmos agora― falei, travesso.


O cheiro dos biscoitos no forno começou a ficar mais forte,quase ao ponto de estar queimado.


― Os biscoitos...― parou por um instante.


― Acho que podem esperar por mais um tempinho.


Essa foi um dos melhores dias que passei com Bellator. Nos divertimos na piscinas. De várias maneiras. Mas o que havia realmente de fato cravado na minha memória em brasa quente, foi saber que diante do mundo inteiro a minha disposição, ainda eu o escolheria. E melhor de tudo era que John havia me deixado em paz pelo resto da tarde.


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